quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ah, isso me mata. Não mata vocês também?



A separação foi conturbada, e mesmo meses depois eles ainda mal conseguiam realizar as tarefas mais simples, como escovar os dentes e escalar montanhas íngremes e escorregadias (as de gelo eram as piores), que era o caso dela, ou calçar as meias com as cores combinando e escavar túneis secretos em um mortífero campo minado, que era o caso dele. Eles também choravam muito, eram carregamentos-jumbo de lenços de papel soft, travesseiros fofos e músicas melosas, porque a mera lembrança das situações sombrias e desesperadoras que os dois tiveram de enfrentar me faz querer hibernar de tanta tristeza. Uma situação sombria e desesperadora é quando você chora alto, aperta os olhos com força e, apesar de, na grande maioria das vezes, tudo isso não passar de uma mise-en-scene que antecede a famosa espiadela para conferir se o efeito do álcool iodado (ou mercúrio-cromo) já passou, continua sentindo a dor da recém-borrifada de anti-séptico no seu joelho ralado por umas sete ou oito horas.
Na verdade, doze. Eu mesma tenho pesadelos constantes em que minha mãe me coloca numa banheira de mertiolate por um dia inteiro, depois de eu me ter me esborrachado numa daquelas quedas de bicicleta suicidas – uma ladeira de 90o graus, asfalto brilhando de minúsculas pedrinhas assassinas e freios que não funcionam direito. Ui.

Só para vocês sentirem, de leve, o que é a dor lancinante.

No entanto, por mais que ele tenha praticado seus sofrimentos mais impensáveis, tinha sido impossível prever a dor de estar separado de seu único, e verdadeiro amor. Daí o choro. E o ardor que não passava com nada. E a dificuldade em realizar tarefas difíceis. E uma tal compulsão por escrever versinhos como este:

Meu coração
É só um pedaço
De queijo de rato
No prato

Ah, isso me mata. Não mata vocês também?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

...


tentando reviver este maldito blog
nao sei porque mas toda vez que eu crio um
fico toda empolgada cuspindo palavras
mas depois de 15 minutos desisto e vejo que tudo que eu escrevo é lixo.
aff.
não sei porque ainda tento.
no fim acabo fazendo disso um diário virtual
ou minha sessão terapia.
enfim...
estava voltando para casa e milhões de coisas passavam pela minha cabeça.
milhões de coisas para escrever aqui.
mas toda vez que me sento na frente desta tela. nada de conveniente sai da minha cabeça.
também não ando das melhores para escrever coisas boas para alguém ler.
anda muito desgostosa com a vida. bem depre.
já não sei mais se nasci assim ou seria culpa de toda essa rebeldia sem causa.
indiferença com os outros e comigo mesma.
pareço mais uma velha que só sabe conviver com gatos.
choro. sem motivo.
sei que parece que reclamo de barriga cheia. isso é muito fácil (e como sei fazer isto bem)
mas não quero reclamar. nem reclamo mais tanto assim.
sou rabugenta isso é fato.
mas o problema é que não me fascino mais por nada.
não há mais vontade de viver. descobrir...
parece que nenhum lugar do mundo faz eu sentir-me bem. feliz.
devia eu procurar este lugar em mim.
mas jah nem tenho mais o que procurar...
quanto lamento.......
começo a me deprimir só de reler esta porcaria.
talvez até esteja cobrando muito do pouco que faço.
mas não faço nada.
sinto saudades do que era. talvez do que seria.
já nem sei mais o que queria dizer.
sei que enquanto tento escrever alguma coisa.
a única coisa que consigo pensar é uma frase do filme tomates verdes fritos.
"é incrível como um lugar tão pequeno possa ter unido tantas vidas..."
boa noite.

flickr